Os homens brasileiros são Incapazes de Amar?

Eu vivi e amei em oito países diferentes e nunca duvidei que entre (e muitas vezes dentro) babacas, jogadores e mulherengos, houvesse um homem amoroso buscando uma conexão profunda com uma mulher. E então eu vim para o Brasil.

Sendo passado 1,5 ano no behemoth de São Paulo e meio ano na região mais provincial do Nordeste, eu andei na montanha-russa emocional dos namoros brasileiros o tempo suficiente para começar a ponderar – os caras brasileiros são incapazes de amar?

Para esclarecer um pouco o assunto, vamos dar uma olhada nos três estudos de caso da minha própria vida amorosa psicótica.

Michael foi professor em uma das melhores escolas de dança de São Paulo, onde eu estava fazendo salsa & zouk. Eu o vi pela primeira vez dançando no palco, no evento anual Dancing With the Stars. As estrelas eram os próprios alunos que haviam praticado com seus professores durante semanas para aquele momento de glória.

Fiquei impressionado com a virilidade intimidadora e a sexualidade imperdoável de Michael. Eu elogiei os seus movimentos, ele elogiou as minhas curvas. Uma dança com ele deixou-me tonto e pedrado com endorfinas.

Então vi-o beijar uma rapariga. Eu verifiquei o seu FB. Sim, ele foi levado. “Oh bem, é isso. Pensei: “Há muito peixe no mar.” Pensei: “2266>

Mas não tinha acabado para ele.”

Suddenly, ele aparecia na cantina da escola todas as quintas-feiras depois da minha aula. “Porque não pratica comigo para o próximo evento? Por que você não vem ao meu curso intensivo de bachata no sábado? Por que não me dá o seu número de telefone?” E depois recebi-lhe aquela foto da pila (surpreendentemente pouco impressionante, no entanto).

“Basta!” Eu disse. “Não está certo, Michael. Tens alguém.”

“Ninguém tem de saber…” Ele acalmou-me.

Parei de responder às mensagens dele.

Na bola seguinte na escola a mão dele deslizou “acidentalmente” pelo meu rabo durante um giro. A namorada dele estava na sala, eu sabia que ela estava a ver. Eu fui ao banheiro para esfriar meu corpo e minha mente. “Porque deveria ser eu a ser um adulto aqui?” Pensei que estava a olhar para o espelho. “Sou solteiro, quero-o, e nem sequer conheço o seu GF.”

“Queres que alguém te faça isso?” Eu ouvi uma voz irritante de sabedoria na minha cabeça. Eu suspirei.

Quando abri a porta, o Michael já estava lá, à espera no corredor. Ele beijou-me antes que eu pudesse dizer uma palavra. Libertei-me dos braços dele, chocado e entusiasmado.

“A tua namorada está aqui. Não estás com medo?” Eu perguntei.

“Não”, ele respondeu com um sorriso arrogante. “Não podemos lutar mais contra isso, querida. Temos de o fazer…”

Senti o braço forte dele à volta da minha cintura e a testosterona a explodir de cada poro da sua pele castanha.

“Não”, eu guinchei com confiança fingida. Um rugido doloroso do animal faminto no meu ventre atravessou o meu cérebro. Oh, como eu desejava aquele homem! Mas não assim.

Deixei a festa. Os grandes olhos mortos da namorada dele fizeram-me um buraco no pescoço.

Estudo de caso #2 Valter

Sair com Valter foi um acto de desespero. O modo de viver sem coração de São Paulo, prendendo os jovens (e os não-jovens) no loop infinito do estilo de vida solteiro, já estava me dando nos nervos. Eu tinha acabado de fechar um longo capítulo de busca de alma solo pelo sudeste asiático. Eu não estava pronto para perdê-lo novamente! Eu queria profundidade, significado e ligação com outro ser humano… Não a treta do sexo vazio sem compromissos. Um amigo me convenceu a procurar pela minha chama gêmea no Tinder (que apropriado). A lenda diz que há verdadeiros casais que se conheceram lá. Então eu fiz algo que eu prometi a mim mesmo nunca fazer na minha vida – eu roubei a direita.

O que eu mais gostei no perfil do Valter foi a ausência total de tiros sem camisa. Muito pelo contrário, havia uma camisola verde, uma barba desalinhada, olhos escuros do Médio Oriente, e um livro na mão (!). Algumas mensagens espirituosas mais tarde ele se ofereceu para ser meu guia na boêmia Rua Augusta, na noite de sexta-feira. Nós rastejamos de um pub para outro, compartilhando nossos pensamentos sobre o amor líquido e nossas visões de Ayahuasca. Ele me pôs em contato com o povo ayahuasqueiro de São Paulo. Mas ele não poderia ir comigo para a próxima cerimônia. Ele ainda estava no Prozac.

Fumamos maconha no carro dele e fomos ao Jazz B, o lugar mais legal de jazz da cidade. Relaxado pela magia verde, com um homem intrigante encostado no meu ombro, deixei os músicos tocarem nas cordas da minha mente, nas chaves do meu coração. Quando ele me levou de volta para casa, agradeci-lhe pelo fantástico encontro e beijei-lhe a bochecha para me despedir. Demorou talvez um segundo demais, mas isso foi o suficiente para que os lábios dele encontrassem os meus. Explodimos num vórtice incontrolável de luxúria, as mãos dele por todo o lado, o meu rosto vermelho e a picada da barba dele. “Woah, woah, woah…” Eu gaseei. “Agora tenho mesmo de ir para casa. Boa noite!”

Na manhã seguinte acordei como um passarinho da Branca de Neve, um pássaro em cocaína, cantando e dançando durante o dia dela. Então o amor existia! Existiam homens inteligentes com grande gosto musical e habilidades de beijar assassinos! A esperança estava de volta e a melhor maneira de celebrá-la era me tratar com um hambúrguer de falafel no meu lugar vegetariano favorito. Não estava no meu caminho, mas quem se importa! Que belo dia…

Foi.

Como eu deslizei para o restaurante no tapete voador da minha ilusão, adivinhem quem já estava lá fazendo fila para o bar da salada? Sim, Valter. Sim, com a namorada dele. Paralisado, parei de tweetar por um momento. Mas ele manteve a cabeça fria e… convidou-me para comer com eles. Ele foi um verdadeiro cavalheiro no final.

Então nós comemos aquele maldito jantar de falafel juntos e ele contou a história de como eles se conheceram (sem mencionar a história de como nos conhecemos). Ele até sugeriu que eu pudesse sair com a namorada dele para dançar forro, já que nós dois adorávamos tanto. Eu acenei com a cabeça como um maníaco, “Definitivamente, nós deveríamos agendar alguma coisa”, forma brasileira de dizer, nós nunca mais nos encontraremos.

Eu comprei uma grande garrafa de cerveja e passei pela Avenida Paulista, sem ter certeza se eu deveria chorar ou rir. Então eu apenas bebi. Como sempre, milhões de casais curtiam nas bancadas e paradas de ônibus – jovens, velhos, gays, heterossexuais… Eu costumava ter inveja do amor deles. Já não tenho. Não era mais do que uma ilusão. Mais cedo ou mais tarde, talvez mesmo em poucas horas, todos eles se traíam um ao outro. A esperança tinha desaparecido.

Estudo de Caso #3 Kleyton

Os nossos olhos encontraram-se na pista de dança e parecia que uma faísca eléctrica voou pela sala. Em um segundo minha boca estava seca e algumas outras partes do meu corpo – molhadas. Meu Deus, ele era lindo! Alto, preto, magro, com uma tempestade de fechaduras grossas, mas acima de tudo – ele era um dançarino incrível. Ele estava girando uma menina, mas olhando para mim, os olhos dele se estreitaram. Eu corei. Ele estendeu a mão na minha direção para a próxima canção e me prendeu em seus braços por toda a noite. Estratégia brasileira – cerque sua presa e não a largue até que você sinta o gosto da carne dela. Com o Universo como minha testemunha, eu resisti o máximo que pude. Eu era nova na cidade, acabava de chegar a Recife, não queria complicações logo no início. E os homens quentes eram um problema! Mas ele era encantador, convincente e persistente. As minhas defesas estavam em baixo. OK, vamos lá fora “tomar um ventinho” (tomar um sopro de ar fresco). Muito bem, o ar vai saber melhor na boca uns dos outros.

O que veio a seguir foi o habitual. Kleyton me mandou uma mensagem quase todos os dias. Longe do seu calor, na segurança do meu quarto, eu estava fazendo o meu melhor para rejeitar os seus avanços. Não, eu não queria conhecê-lo. Não, eu não lhe mandava os meus nus. Não, eu não viria no próximo domingo ao cubano novamente.

Mas eu fiz.

Não conseguia me concentrar, virando minha cabeça para a esquerda e direita, eu procurava a familiar tempestade de cabelo afro domado por uma faixa de cabeça. Ele não estava lá.

Ele pediu desculpas prontamente. Ele tinha dado aulas na escola de dança durante todo o fim de semana e estava muito cansado para vir. Eu estava distante mas ele chamou minha atenção oferecendo-me aulas de samba de gafieira, na minha sala de estar, em troca de aulas de inglês. Sim, claro, porque não, é uma dança tão difícil no final…. Alguma ajuda extra não faz mal.

Quando abri a porta no dia seguinte e vi a sua linda cara, sabia que a tarde não terminaria numa troca de aulas. Quando todas as apresentações foram feitas e o som foi praticado até a língua dele ficar dormente, estava na hora de eu descer do pedestal do professor e me tornar um idiota para variar. Ele tocou “Pé na Areia” e me puxou para si mesmo, só para me afastar três segundos depois. Demos as costas um para o outro, demos um salto para trás e para a frente, ele me deu a volta e eu ri, tendo perdido o equilíbrio. Ele me pegou bem na hora certa, quente, suado, derretendo… Ele inclinou minha cabeça para trás e chupou no meu lábio. Flutuamos nas ondas do samba até o meu quarto.

Eu desapareci.

Continuamos nossas aulas com benefícios por algumas semanas, conversamos sobre o que se passava todos os dias, ficamos com ciúmes, tivemos nossa primeira briga quando ele me deu um tapa na cara na cama e eu lhe dei um tapa de volta. Perdia a concentração sempre que sentia o seu perfume nos outros homens. Ele me alimentava com a mesma porcaria que servia a todas as garotas, só para me deixar viciada nele – vamos ficar juntos para sempre, vamos nos casar, é muito cedo para dar as mãos em público, mas um dia… Eu disse a ele, eu não queria ouvir nada dessa merda, mas de alguma forma ficou presa. A mistura do cheiro dele e das tretas cegou-me a mente. Talvez pudéssemos ser algo mais do que ficantes (foda-se amigos)?

E será que eu iria querer isso? O cara morava numa escola de dança, flertava com todas as garotas ao redor, e tinha filhos com duas mulheres diferentes. Certamente não é o tipo de homem que a minha mãe gostaria de conhecer. Eu tive o gosto da realidade quando o apresentei ao meu irmão que estava de visita para o carnaval. Que lindo, naquele dia específico Kleyton apareceu completamente bêbado, com um dente quebrado na frente depois de abrir uma lata de cerveja na noite anterior, e como por gloriosa tradição carnavalesca brasileira – usando um vestido escanzelado. Meu irmão não ficou impressionado.

Você sabe como às vezes um pequeno lanche só abre o apetite em vez de satisfazê-lo? Isso foi o que me aconteceu. As reuniões semanais de foda com o Kleyton e depois fingir que mal nos conhecíamos nas festas não era suficiente. Eu queria algo mais profundo, mais real, mais bonito… Tentei afastar-me, sugeri uma pausa, mas voltei a correr para ele dentro de uma semana. A dança começou tudo de novo.

Mas estava se tornando intensa não só para mim. Eu vi nos seus olhos, ele estava aterrorizado. De repente, eu estava em todo lugar, invadindo seu território com meus saltos altos e saias giratórias. Onde quer que ele virasse sua cabeça, eu estava lá, dançando com outro homem. Eu estudei o seu rosto. Qual era o significado dessa tristeza? Tinha ciúmes ou estava cansado da minha presença? O que quer que fosse, era demais. O cheiro dele desapareceu no ar. Acabaram-se as mensagens do “como foi o teu dia”. Eu não perguntei o que aconteceu. Eu não tentei ficar com ele. Eu sabia muito bem o exercício.

Desapareceu.

Suprifiquei-o, tal como sempre faço. Ele provavelmente já anda a foder outra rapariga. É assim que você mantém a segurança – bata o máximo que puder e fuja antes do primeiro bater desagradável do seu coração machista. Corri um risco com a Kleyton e perdi, mas não tudo. Era infinito quando durou.

Que seja infinito enquanto dure…

O Rant

Essas foram apenas três de muitas aventuras românticas agridoce (?) que tive no Brasil e não são nada em comparação com o que me foi dito pelas minhas namoradas. Todas as mulheres que conheço têm algumas histórias trágicas de infidelidade na manga, prontas para arrancá-las nas noites de caipirinha das garotas encharcadas. As piores são as de suas mães, enganadas pelos pais e deixadas sozinhas, sem nada para viver, e muitas vezes com dívidas para pagar.

Meu coração afunda. É realmente isso que você ganha quando se apaixona por um homem brasileiro? Você o ama? Você o quer? Aí tem, leve-o, junto com toda a porcaria que vem com o pacote – trapaça, machismo e a incapacidade de amá-lo.

No entanto, os trinta e vinte e poucos anos não vão tolerar a merda a que suas mães costumavam fazer vista grossa. Elas são trabalhadoras, ambiciosas e auto-suficientes. Elas fazem desporto, viajam e desenvolvem as suas paixões. Elas são as melhores e merecem o melhor. Então como é que isso funciona para elas? Eles estão sozinhos. Porque os homens brasileiros não conseguem lidar com a nova realidade. Não conseguem encontrar seu lugar nesse novo modelo de relacionamento onde não precisam ser provedores. Rodrigo, um colega meu, admite que ele é solteiro porque tem medo. Se ele sair com uma mulher, mais cedo ou mais tarde ela vai descobrir que ele é uma fraude. Ele não tem nada a oferecer a ela o que ela não pode conseguir sozinha. Então ele prefere fugir antes que ela perceba e o deixe por alguém melhor.

A história de Mariana confirma essa estranha lógica. Ela era uma linda e bem sucedida desenvolvedora de aplicativos no Google. Ela estava tentando ter um filho com seu marido há mais de um ano, quando descobriu que ele já estava esperando um, só que não com ela. Um vendedor de rua de dezenove anos de uma favela que ele patrulhava acabou se revelando um interesse amoroso mais atraente. E um menos ameaçador, com certeza. Duas semanas depois Mariana era uma bela e bem sucedida… divorciada.

The Reasoning

Eu sempre fui mais amante de homens do que odiadora de homens, então estou tentando encontrar sentido nessa miséria. Todos desejam ser considerados uma pessoa decente, mas e se a definição de decente difere de cultura para cultura? E se o teu pai e a tua sociedade te imprimirem desde tenra idade que ser homem significa ser capaz de ter o maior número possível de mulheres e ser mais esperto que todas elas? Não se comportariam os homens brasileiros de maneira diferente, se tivessem sido criados num lugar onde os pais não trouxessem seus filhos de 14 anos para as casas de putas para perder a virgindade, onde não lhes dessem palmadinhas nas costas por traírem suas namoradas adolescentes, e onde o amor e a lealdade feroz a uma mulher não fosse visto como fraqueza, mas como força?

Vi um vídeo incrível de Matthew Boggs onde ele explica porque alguns homens são incapazes de se comprometer. Imagine que você tem 16 onças de amor em sua mão, tudo bonito, perfumado e pronto para ser presenteado a esse homem especial. Mas ele só tem 4 onças para te dar de volta em troca. Você está ficando chateado por ele não querer te dar mais, mas a verdade é que – isso é tudo que ele tem. E isso parece ser verdade para os rapazes no Brasil. Eles são emocionalmente deficientes, incapazes de desenvolver profundidade que os tornaria apegados a apenas uma pessoa. É sempre a mesma relação superficial, baseada no sexo, só que os corpos são diferentes. É por isso que é tão fácil trocar uma mulher por outra.

As Palavras da Sabedoria

Provavelmente me partiria em pedaços e me transformaria em desespero, se eu não estivesse ciente das leis do Universo: tudo o que te rodeia é o reflexo da tua própria alma, tudo o que vives é trazido até ti pela Lei da Atracção para corresponder à vibração que projectas. Não somos vítimas das nossas circunstâncias, mas os capitães das nossas vidas.

Sento-me em meditação silenciosa e pergunto ao meu Ser Interior: “Será que todos os homens brasileiros são de fato trapaceiros emocionalmente disponíveis? Ou eu atraio apenas esses tipos (e as mulheres reclamando deles)? E se sim… Por quê?”

A resposta é bem irritante, como sempre. Parece que sou eu quem está emocionalmente indisponível e os homens que escolho simplesmente espelham a minha atitude. Na superfície eu anseio por intimidade e profundidade, mas a verdade seja dita… Assusta-me. Cair tão fundo, perder o controle, entregar-me completamente a outra pessoa… Ninguém tem tempo para isso! Preciso de me concentrar na minha escrita, encontrar um agente, publicar o meu romance, ir a correr e dançar, meditar na praia, conhecer as minhas namoradas… Um homem agora? Ele iria arruinar tudo! Assim, uma parte de mim sabota todas as hipóteses de uma relação, escolhe da multidão o pior tipo, os jogadores, os mulherengos, os imbecis… Assim não tenho que assumir a responsabilidade pelo fracasso no namoro. Vai ser sempre culpa deles.

Essa realização é dolorosa e esperançosa ao mesmo tempo. Há homens fantásticos e honestos por aí, talvez bebendo água de coco na praia que não conheço, talvez dançando kizomba num clube onde ainda não fui, talvez passeando os cães deles no parque na outra parte da cidade… Ainda não os conheci porque a minha vibração não combina com a deles. Eu não estou pronto. Então eu deveria apenas relaxar, desfrutar de uma tigela de açaí, e publicar meu primeiro post no Medium. 😉

É muito mais fácil culpar o seu ambiente do que ver a “realidade” como o espelho da sua alma. Mas essa é a única maneira de parar de “ser vivido” e começar a viver, sem fazer perguntas bobas, como, “Os Homens Brasileiros são Incapazes de Amar?”

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